segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ME DEIXA...


me deixa...encostar em seu peito e desenrolar problemas enquanto dedilho os pelos brancos traduzidos de experiência. me deixa dormir durante aquele filme tão esperado na semana para vermos, com todo cuidado preu não acordar, mas me leva pra cama depois...me deixa curtir minha cerveja, independente do dia, hora ou local, mas toma conta para não abusar, ainda mais nesse calor, e se puder, beba comigo. me deixa sentir teu conforto, seu apreço, seu carinho nas horas infundadas de mau humor que do nada surgem, mesmo não estando na TPM. me deixa estar na sua vida nas decisões do seu dia, nas risadas de suas alegrias, no ombro do seu choro. me deixa ser, me deixa parecer, me deixa te dar o que de mim sei melhor, e que esse fique ainda mais com sua companhia. me cresça de melhorias ressaltando meu lado mais bonito, mais puro e mais esperado por você. me deixa amar com exagero, e não me limite na expressão disso tudo, apenas receba e sinta. me deixa falar pra você o que lá no fundo me grita, sem medo da resposta desse ouvir, que sei incapaz de me magoar. me deixa que deixo amar você, só isso que preciso...me deixa me bastar!! 

Flavia D'Angelo

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

PASSAPORTE...


paciência que nego
não jogo,navego 
beirando o berro
não peça desculpas
me usa 
não fuja
lambuza de marco
anseio que falho
menina obtusa
divido querer
me faz o perder
juízo impede
da linha que mede
desejo e querer
espera maldita
não me sou sofrida
decido passagem
me vê invisível
já não te preciso
no tempo covarde
me encare...

Flavia D'Angelo

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

BUSCA


trilho caminho
saio do ninho
fonte segura
mergulho no vício
sentir de carinho
procuro a cura
bato nas pedras
visto a  relva
sana in-sana
magia descrita
noite infiltra
sóbria que nego
sinuca partida
na cana bebida
louca te entrego
baços me cuidam
curvas assumo
estrada de terra
faz me mulher
te dou o que quer
por fim me acuda
solidão maldita
verdade que dita
sou sua busca... 

Flavia D'Angelo

IN-SANA


Em 20 minutos uma decisão me leva ao paraíso, mesmo que por poucos dias. A espera desencontrada brindada numa lata de cerveja, bebida que muito precisava para começar a acalmar minha euforia ilusória. Um mundo a parte de atmosfera sentida em arrepios na pele quando em contato com a fria água que começava a lavar a alma. Filtros dos sonhos esmiuçavam os pesadelos sofridos nos meus últimos dias daquele ano se despedindo. Não pensava, vivia. Drads, back, amor liberado em todas as suas formas desfilavam em minha retina um sentimento de liberdade absorvido por todos os meus poros. A noite chega com magia, onde o tilintar do  triângulo no pequeno palco conduzia as batidas do coração no ritmo que pulava de encontro ao seu peito numa dança há muito esperada. Nos segundos finais, as pernas acompanharam a emoção da despedida do velho, onde uma pequena ponte sobre um filho de cachoeira levaria a Oxum nossos desejos para o novo em amarelo ouro como as flores jogadas de lá. Dias sem horas vividos no mais puro perdido de mim. Provando carinho num pão de queijo ao acordar, num banho de havaianas no areal do banheiro coletivo, no protetor passado contra minha vontade após a vermelhidão me assolar o corpo, nos olhos que vigiavam minha liberdade numa pista de dança, onde solta em minha plenitude astral sabia não estar sozinha. Boba me senti segura, criança, amada e respeitada, em cada detalhe curtido a dois. Me senti mulher! E nada apagará em minha memória intensos momentos de uma simplicidade besta naquele lugar. Volto a realidade me esquecendo que magia acaba, que não se vive assim por muito tempo, e a espera por um dia seguinte agonizava num turbilhão de decisões a serem tomadas. E minha fraqueza abate num segundo todo um tempo onde a inocência no acreditar já morria há muito. Me visto de mim nesse mundo que vivo, e como sempre, volto ao meu caminho sem destino, onde expectativas machucam tanto que as abortei. O inesperado me espera, e só com ele posso contar. E novamente boba, divida entre aquele mundo e o presente, torço para que sempre consiga quebrar essa dura capa precisa pra sobreviver, para algum restinho de puro sentir resistir, me fazendo ainda bobamente acreditar... 

Flavia D'Angelo 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

IXIÓNIDAS

(p/ Alan)


homem  em pelo
cavalga sem medo
a carne mais crua
em pernas que monto
no dorso desmonto
metade ajusta
kentauro eu domo
touro que assombra
inocência expira
sem Hera nem beira
me faz que faceira
vontade não finda...

Flavia D'Angelo