quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

me acostumei com minha presença em horas que prezo ausência de ser. cansada de nada do que ninguém possa me oferecer, transbordo em sentidos do pouco vivido em ter. e nessa procura, que tardo segura, a oferecer o que já me basta, na face que afaga no doce dizer...te sinto bem fundo palpando murmúrio que calo viver

Flavia D'Angelo




no quarto
acendo cigarro
abarco sentido
me cobro
enlaço
bebida em cansaço
reflito pedaços
carrego comigo
desejo desfaço
escuro que rompe
vazio contido
na pele que cala
calor que apaga
me sinto...

Flavia D'Angelo




palavras me fazem tecer história que vivo. me sinto e sei que frágil escondo verdade no que represento. não quero ou permito que usem possível inocência no meu viver. profunda entrego sem armas o que me dita o momento. a nada me devo e me satisfaço por pouco estar. sou pele em toques, e finjo acreditar. portanto insisto no que me preenche e nada me prende, correntes entortam o gozo que peço. nos erros espelho a cama que nego deitar. não penso, espero...em ti me renego...me deixo amar!
Flavia D'Angelo

Notívaga


me cai e liberta a noite que escura enterra soluços. notívaga mente me abro em faces que brilho apaga. nela me vejo, sinto, sou e respiro verdade travada que dia jazia na cama qual prisão de realidade. silêncio preenche vazio que espelho já não me reflete. viva em paredes solitárias que acolhem inteiro não antes sentido. me penso, me roubo o direito de ser nua em carne e osso longe de tudo que me consome pedaços. momento que tempo perece e nele percebo o tudo de mim. no meio escuro me vejo e consumo ardente expurgo que me faz sorrir. 

Flavia D'Angelo

não me prendam correntes 
que deslizo temente a parte que me cabe. 
não sou bicho domado...

Flavia D'Angelo