quinta-feira, 5 de março de 2015



enquanto o novo ano não vem
despeço do velho que vai mais que tarde
enterro com ele mágoas sofridas
mas as alegrias trago comigo
rasgo o mapa traçado que se fez jogado em caminhos que não percorri
velo e acendo uma vela pras falsas promessas que esqueci
deixo secar o molhado do rosto pingado de sal e loucuras
fecho em bolsa pequena palavras azedas que tanto ouvi
enquanto o novo não vem
me vejo curtida que prova da vida o melhor
qual tal um poema ensaio o tema
que como poeta ensejo
do novo o segredo que esconde
o medo do velho vivido
e abrindo os braços
sem dó ou cansaço
espero que o novo acabe comigo
sendo bem vindo

Flavia D'Angelo
meu Deus poderoso
me tira o gosto do não permitido
a sombra daquele que tanto me teve
meu ser permissivo
a dor que traía
sentido enchido na cama que tinhas
no corpo que forte deixava sem norte
desejo suprido
o mal me trouxeste
tal qual como peste
me marca em castigo de dar-me completa
em fúria desperta
que peito em festa iludiu contigo

Flavia D'Angelo



pouco..
tão pouco pra tirar os sentidos
livrar os aflijos que noite me trás
quero torpor
respirar apenas sem nenhum conflito
fechar o buraco de onde memórias escapam
vegetar
de olhos cerrados cravar nessa culpa um pouco de paz
sofrer...jaz

Flavia D'Angelo

suor em gotas remete passado
conhece caminho
escorrem por fendas em pele
que toques e cheiros
em verve
tiraram sentido
com olhos cerrados os dedos
malvados
repetem destino
enfim adormeço
encerro desejo
e deito comigo

Flavia D'Angelo